Você se sente preso no nível intermediário de inglês?

Calma!

É comum ficar preso no intermediário do inglês antes da fluência.

Mas é possível entender por quê isso acontece e reverter a situação, para passar aos níveis avançado e fluente.

mulher preocupada
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Você permanece no nível intermediário por não dar os cinco passos essenciais para a fluência: pensar em inglês, lembrar sempre do vocabulário, saber ouvir, saber reproduzir e saber se adaptar a cenários complexos.

Pensando em você que se sente parado no tempo, vamos explicar os passos para alcançar os níveis C (avançado e fluente), e como colocá-los em prática.

Siga passo a passo, cada um deles ajuda a desenvolver uma capacidade específica que facilita o próximo!

Pronto para se tornar fluente em inglês?

1º – Treine sua atenção: como pensar em inglês

Primeiro é necessário mudar sua abordagem.

Esta abordagem é a atenção plena e o total desapego à sua língua nativa.

Isto quer dizer que você jamais deve pensar em português ao tentar compreender ou se comunicar em outro idioma.

Pode parecer difícil, mas é algo a ser praticado e aperfeiçoado.

O que você estará treinando exatamente é a sua capacidade de atenção e foco.

A familiaridade real com o idioma é somente possível através da mente atenta, livre de pré-concepções emprestadas de outro idioma.

Você já deve ter ouvido falar que quanto maior o contato com inglês, mais se aprende, né?

Se você não vive em um país anglófono, provavelmente você pensa que o único contato que tem com o idioma é quando tem aulas, assiste a um filme ou escuta música em inglês.

Na verdade, a maior fonte de contato com inglês pode ser você mesmo.

Quando o estudante se permite cultivar as “vozes na cabeça” em inglês, tudo se torna mais fácil no aprendizado. 

mulher pensando
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É claro que, quanto mais contato externo, desenvolve-se mais naturalmente este contato interno, o pensamento em inglês.

Você memoriza uma ou outra expressão com mais facilidade pois ela já se repetiu muito para você ou te impactou na primeira vez que surgiu.

Por exemplo, você assiste a um filme em que, em determinada cena, o personagem diz “Wow! That’s great! Really good, indeed.” depois de receber boas notícias.

A frase, por algum motivo, fica na sua cabeça.

Mais tarde, um amigo lhe conta boas notícias e você lembra da expressão do personagem, ela vem quase automaticamente para você – e assim se começa a pensar em inglês.

Perceba: antes de mais nada, a pessoa precisa estar bem atenta ao que está ouvindo e desapegada das legendas em português para que o som de uma frase realmente se destaque.

Não há absoluta necessidade das legendas serem em inglês, você pode treinar a atenção sonora sem sacrificar o acompanhamento da narrativa.

(Na verdade, conectar a memória auditiva a um ponto de uma narrativa ajuda muito a fixar o significado e contexto de uma frase, quando o nível do estudante ainda não o permite acompanhar totalmente um filme com legendas em inglês.)

Você pode cultivar o pensamento em inglês desde o momento em que está assistindo ao filme e escuta uma fala que chama sua atenção.

Repita a frase imediatamente. Volte naquela cena do filme depois e ouça mais uma vez. Imagine o personagem pensando aquelas e outras expressões, para então proferir a frase.

Lembre-se que até pessoas que fazem intercâmbio, ou que passam longas férias no exterior, podem ter dificuldade para alcançar a fluência no inglês a partir da experiência.

Estas pessoas geralmente não estão focadas em desenvolver o pensamento em inglês, por este motivo você deve certificar-se de que está plenamente disposto a pensar em inglês, não simplesmente a estar “em contato com idioma.”

A voz interna em inglês não nascerá do dia para a noite, após alguns exercícios.

É fruto da ação do tempo na mente aberta a aprender uma nova forma de ser.

Não questione a gramática, por quê o adjetivo vem antes do substantivo ou qualquer outra “estranheza” – aceite que nada é estranho, é simplesmente inglês.

Desenvolva uma curiosidade genuína pelos ritmos de fala, entonações, comportamentos, marcas culturais, pelo idioma como um todo, como um modo de pensar, ao prestar atenção em expressões – afinal, o pensamento em inglês se dá em todas estas esferas, não somente na palavra.

Pode ser que você sinta muita dificuldade em não traduzir do inglês para o português as coisas novas que aprende.

Este é um problema comum, também derivado da falta de atenção. Se perceber que está traduzindo, pare imediatamente!

Tente fingir que você só sabe inglês, esqueceu totalmente o português. Se você não entendeu algo, é porque não ouviu direito ou não conhece a palavra ainda, nada mais.

Deixar de traduzir no cotidiano significa que, por exemplo:

Você quer pesquisar uma palavra nova no Google? Não entendeu ainda o que significa “indeed” ? Use a frase “what does ‘indeed’ mean?” e leia somente explicações em inglês, nem que precise ler mais de uma fonte até entender totalmente.

Se você está tendo uma conversa com outro brasileiro em inglês, deve se esforçar para prestar atenção em tudo que a pessoa diz e, se necessário, peça que repita ou explique melhor, sempre mantendo o diálogo em inglês.

Se você está lendo e se depara com uma palavra ou expressão nova, ao invés de ir logo ver a tradução, primeiro prossiga com a leitura e tente compreender o significado pelo contexto. Mais tarde, pesquise sinônimos e antônimos em inglês para a palavra ou expressão.

Depois de um tempo praticando a brincadeira de “só saber inglês”, com certeza você já estará menos travado. E após este primeiro passo, você facilmente dará o segundo.

2º – Treine sua memória: como garantir vocabulário

Aprender novas palavras e expressões não é a mesma coisa que aumentar o seu vocabulário prático.

Após um primeiro contato com algo inédito para você em inglês, você precisa exercitar sua memória a fim de fixar este aprendizado.

Lembra quando falamos no tópico anterior sobre conectar uma memória a um ponto de uma narrativa?

Sempre que você faz pelo menos uma ligação entre uma palavra nova e um contexto, facilita muito o trabalho do seu cérebro na hora de entender o que algo quer dizer ou buscar o que você deve dizer em determinada situação.

O contexto pode ser um ponto narrativo, uma emoção, um local, qualquer coisa.

Estar no nível intermediário significa que você é capaz de manter diálogos simples do cotidiano.

Pode compreender uma frase simples como a citada no passo anterior (“Wow! That’s great! Really good, indeed.”) e conectá-la a um contexto, mesmo ouvindo-a pela primeira vez, sem conhecer a palavra “indeed,” ou a onomatopeia de surpresa “wow.”

No entanto, ser capaz de compreender algo após uma breve investigação não garante que você conseguirá acessar tal aprendizado automaticamente quando necessário, e falar tão facilmente quanto o personagem com quem você aprendeu a frase.

Para que sua memória fique “afiada”, tudo o que você aprender precisa ser colocado em prática algumas vezes, sempre que possível.

Inglês é prática como treinar na academia. https://flic.kr/p/7ENEPe

Sim, tudo mesmo! E o quanto antes, melhor. O esforço de “lembrar” mentalmente não facilita a memorização, somente colocar a memória em prática realmente ativa a capacidade de recordação espontânea.

Sempre que receber boas notícias, lembre-se se como o personagem falou aquela frase.

Então fale-a em voz alta, para si mesmo, se puder. Utilize-a em diálogos com colegas de conversação e professores de inglês.

Digamos que, paralelamente, você aprendeu a expressão “Is that so?”, então responde ao colega em outra oportunidade, que acabou de te contar uma história sobre algo ótimo que lhe ocorreu: “Is that so? Wow!

That’s really good, indeed.” – misture expressões novas quando puder, seja criativo para poder praticar tudo.

Para quem não tem com quem conversar em inglês ou tem pouco tempo disponível para conversação (…ou quer consolidar um amplo vocabulário mais rapidamente), precisa ir além no treinamento da memória.

Você pode escrever ou gravar a si mesmo contando uma história ficcional ou real, utilizando as novas palavras e frases, periodicamente. Conte uma história por semana, por exemplo. 

É essencial utilizar pelo menos uma vez tudo o que você aprender, logo após o aprendizado inicial, para consolidar este vocabulário prático, ou seja, fácil de lembrar e adequado à comunicação em inglês.

É como um caderno de expressões na sua cabeça e você precisa usar cada uma para que ela seja escrita, e possa ser consultada mais tarde.

Quem treina a atenção para cultivar o pensamento em inglês é capaz de pôr em prática o vocabulário adquirido com mais facilidade, mas também é verdade que, quanto mais treinamos a utilização de tudo que acabamos de aprender, pensamos em inglês com menos esforço.

Este segundo passo vem facilitado pelo primeiro, e o fortalece ao mesmo tempo.

3º – Treine sua compreensão: como identificar rápido o que você ouviu ou leu

Este passo, assim como o segundo, é fruto direto do primeiro. Porém, ele vem como terceiro, pois a memória treinada facilita muito a rápida compreensão do inglês – e não o contrário.

Ao libertar-se das noções de outros idiomas, você começará a desenvolver a capacidade de realmente ouvir de uma forma diferente, seja escutando ou lendo, ou seja, você notará elementos sonoros que não notava antes e saberá identificá-los quando surgirem, mesmo na forma escrita.

Treinar a compreensão é treinar os olhos e os ouvidos.

O olhar e a audição atentos não se enganam com a fonética: sabem que estão lendo ou ouvindo inglês (não outro idioma) e o que isso implica.

Para garantir um bom início de treinamento, certifique-se de que você conseguiu “limpar” os ouvidos e estude phonetics.

Após estudar bem a pronúncia das vogais, consoantes e grupos de letras e palavras, o comportamento da boca e da voz em seus sutis detalhes, será mais fácil começar a treinar a compreensão.

Muitas pessoas acham que, quando entendem o sentido de uma frase, a escutaram completamente.

Então, se precisam utilizar esta frase em um diálogo, sabem usá-la corretamente, mas com frequência sua pronúncia está errada ou varia, às vezes estando certa e, às vezes, não.

Neste caso, o estudante tem um conhecimento intelectual, adquirido através de certa atenção e memorização, mas cometeu um grave erro: não fixou o vocabulário tal como ele realmente é, prestou menos atenção do que o devido, negligenciando a fonética.

Quando você reproduz uma palavra nova pronunciando-a corretamente, então pode começar a colocá-la nas práticas de estudo, buscando fixá-la ao seu vocabulário prático. Para ter certeza da pronúncia, escute-a de novo e de novo, peça a opinião dos professores e colegas, grave sua própria voz, faça o necessário para não memorizar a palavra errada.

Ao assimilar, por exemplo, que vogais se pronunciam juntamente à consoantes de outras palavras, portanto a expressão “What a mess” se pronuncia agrupando “T”, do fim de “what”, o artigo “a”, e “M”, você se torna capaz de identificar mais facilmente quaisquer palavras dentro de frases.

É comum que, com conhecimento intermediário de inglês, o estudante escute esta frase curta como uma só palavra, algo como “Waramess”, e fique confuso. Ouvidos treinados não fazem esta e outras confusões.

Este treinamento de compreensão visa a capacidade de identificar rapidamente os elementos do discurso. Também ajuda a corrigir os próprios erros, e a não assimilar algo errado que outra pessoa falar.

Quanto mais treinado é seu ouvido e seu olhar para o inglês, mais facilmente aflora uma intuição do que “soa bem.”

4º – Treine sua reprodução: como falar inglês espontaneamente

Enquanto o treino da compreensão do inglês vem primeiramente de um entendimento intelectual e aplicado de fonética, o treino da reprodução do inglês vai na direção oposta.

Tudo o que convém ao raciocínio na reprodução já foi explorado e fixado no terceiro passo, restando a este um outro tipo de compromisso: a repetição desprovida ao máximo possível de pensamento.

Naturalmente, você deve passar pelo terceiro passo, estudar como se pronunciam as palavras, compreender a lógica por traz destes sons. Mas, se o objetivo é falar inglês espontaneamente, é necessário que você treine falar sem pensar demais.

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Mantenha a calma, lembre-se de que você já treinou a compreensão bastante e tem tudo o que precisa para falar. Fale com confiança. Duvidar demais de si e hesitar ao falar é bem pior para o aprendizado do que falar, errar, perceber e corrigir o erro.

Você já utilizou pelo menos uma vez qualquer vocabulário que adquiriu recentemente. Agora você deve repetir ao máximo tudo que aprendeu.

Isto não quer dizer que você deve ficar falando sozinho, milhares de vezes, a mesma palavra, até achar que falou bem.

Na verdade, você deve desenvolver uma nova forma de encarar o próprio cotidiano, em que você aproveite todas as oportunidades para falar inglês e fale muito, todos os dias.

No dia-a-dia este treino significa, por exemplo:

Criar o hábito de falar sozinho em inglês todos os dias, trazendo à voz seus pensamentos. (Mesmo que você se sinta meio ridículo a princípio, vai aprender muito fazendo isso.)

Se juntar a um grupo fixo de conversação.

Pedir para que todos os seus amigos que são fluentes em inglês só falem com você em inglês (ou que você possa sempre falar em inglês com eles, mesmo que queiram te responder em português).

Quando você falar inglês cotidianamente, será quase impossível “treinar uma palavra” apenas uma vez. É desta repetição sem fim que surge a espontaneidade ao falar.

5º – Treine a flexibilidade: como ser fluente em inglês

Saber adaptar-se a qualquer contexto complexo é precisamente o que significa obter fluência em um idioma, portanto o último passo necessário para sair do nível intermediário é sair totalmente daquilo que ele representa: sua zona de conforto.

Neste estágio, quando falando inglês, você pensa através do idioma e consegue se comunicar espontaneamente na maior parte do tempo, mas sabe que ainda tem muito detalhe para aprender.

Alguns contextos você facilmente identifica como desconhecidos: “não sei escrever uma carta formal em inglês”, por exemplo, ou “não sei usar gírias”, “não sei usar tom jornalístico”, etc. Aí já se revelam caminhos para sair da zona de conforto, você pode propriamente estudar cada um destes cenários que você deseja dominar e os praticar.

Mas há também outra forma de treinar sua flexibilidade: você pode usar sua criatividade para sempre ir além do próprio conhecimento, toda vez que falar ou escrever inglês.

Se você escreve uma história por semana, como sugerido no segundo passo, pode começar a ser mais e mais ousado nas narrativas, tocando assuntos e gêneros literários novos, criando personagens e situações que te desafiem a explorar vocabulário, a pensar mais antes de escrever.

Quando você estiver falando, tente perceber quais palavras você repete com frequência e as substitua por outras. Tente sempre “inovar” os termos, começando pelos adjetivos: troque “really good” por “terrific” ou “outstanding”, troque “bad” por “terrible” ou “unappealing”, e assim por diante. Renove o vocabulário sempre.

Enquanto experimenta a troca de palavras, perceba como as mudanças afetam ou não o sentido do que é falado.

Uma conquista importante na busca da fluência é conseguir reconhecer o sentido implícito de uma fala ou texto, algo além do que você poderia extrair no nível intermediário.

A comédia é uma ótima fonte de conteúdo para treinar sua percepção de subtexto, pois com frequência as piadas funcionam através de sentido implícito.

Somente quando você tiver explorado os diversos tons para diálogos íntimos, sociais, acadêmicos e profissionais, será capaz de se comunicar em qualquer situação.

A fluência, ou adaptação prática, surge com a flexibilidade máxima na forma de aprender, primeiramente: ouvindo e falando com plena atenção, praticando muito para fixar o aprendizado e totalmente aberto aos novos contextos.

Chegando ao nível avançado (C1), só lhe resta seguir com a mesma abordagem, para aprender plenamente tudo de novo que surgir em seu caminho.

Pouco a pouco, você chegará ao nível C2 inevitavelmente, sendo apenas questão de tempo e, claro, de se manter sempre fiel aos cinco passos essenciais.

Resumo:

Para sair do nível intermediário e se tornar fluente, você precisa desenvolver

1º – Atenção plena, foco

Como?
a) abrir a mente, assimilar o idioma como um todo
b) pensar em inglês
c) parar de traduzir

2º – Boa memória

Como?
a) colocar em prática tudo que você aprender, exercitar a memória
b) focar em consolidar um vocabulário amplo para ser usado sempre

3º – Boa compreensão

Como?
a) saber ouvir inglês, estudar fonética do idioma
b) saber ouvir inglês quando estiver lendo
c) somente fixar vocabulário correto
d) criar senso do que soa bem
e) saber identificar facilmente cada elemento em uma fala

4º – Boa reprodução

Como?
a) perder a vergonha de falar inglês, cometer erros e corrigi-los
b) repetir muitas vezes o que aprendeu, praticando todos os dias
c) falar espontaneamente

5º – Flexibilidade

Como?
a) investigar onde você pode melhorar e estudar estes pontos
b) sair da zona de conforto, desafiando a si mesmo sempre, para perceber mais pontos em que pode melhorar
c) treinar cenários complexos, como piadas com sentido implícito, textos com linguagem técnica, falas com muitos detalhes, etc.