Chunks of Language: o que são e a importância no ensino do inglês

Chunks of language são palavras afins (duas ou mais), usadas em conjunto de forma muito frequente no idioma. A união dos termos individuais forma um termo maior com significado autônomo.

Alguns destes termos não são apropriados para a linguagem formal escrita, sendo mais verificados na língua falada. Contudo, não por isso deixam de ter extrema relevância no aprendizado e no percurso para a fluência do idioma.

Os falantes nativos usam dessas expressões todo o tempo; elas fazem parte do idioma da mesma forma que as regras gramaticais de formação de frases ou o vocabulário. Ter consciência dessas expressões e de seu correto uso é essencial para a comunicação mais próxima da comunicação real possível.

O ouvinte / leitor usa seu conhecimento prévio destes chunks (partes, em tradução livre) para compor o significado do discurso e processar a linguagem em tempo real. [1]

Estruturas fixam ou variáveis

Esses grupos de palavras podem possuir uma estrutura fixa ou semifixa.

Um bom exemplo de estrutura fixa seria a expressão you are welcome. Essa é uma estrutura que não demanda qualquer outro termo para que seu significado seja completamente entendido pelo interlocutor.

Segue outros exemplos bem simples de chunks de estrutura fixa:

  • You’re welcome! (De nada!)
  • What do you mean? (Como assim?)
  • Go figure! (Vai entender!)
  • I’m sorry! (Sinto muito!)
  • Just a moment! (Só um momento!)
  • I don’t think so. (Eu acho que não.)
  • How are you doing? (Como você está?

Alguns autores chamam esses chunks de institutionalized sentences, por serem estáticos, não sofrerem modificação independente do contexto em que forem aplicados.[2]

Já um exemplo de estrutura semifixa seria I don´t know if ou Imagine if. Esses termos necessitam de uma conclusão por parte do falante, não transmitem uma mensagem por si mesmos e necessitam do contexto da comunicação para que se tornem uma mensagem inteligível.

Outros bons exemplos são: on the other hand (que indica uma ideia de oposição), a lot of (que funciona como indicativo de quantidade), at the moment (que indica o tempo presente), you know (usado para expressar a desnecessidade de maiores explicações ao interlocutor), etc.

O caso do termo I see é bastante curioso. Além de ser um dos termos mais utilizados na língua inglesa, expressam que o ouvinte processou e entendeu a mensagem do falante. E o mesmo pode ser usado por este último para questionar se sua mensagem está sendo compreendida. Neste caos, utiliza-se you see? ou Do you see?

Neste caso, o verbo to see é muito mais usado em inglês no sentido figurado expresso nesse chunk do que em seu sentido literal, ou seja, para indicar o verbo ver.[3]

No discurso falado, usa-se os chunks a todo momento, basta ouvirmos uma breve conversação e perceberemos o uso de muitas expressões comuns.

O entendimento e internalização pelos alunos de língua inglesa destes termos constituem a base de uma abordagem chamada lexical approach.

Segundo o autor que primeiro a descreveu, o modo como a língua vem sendo ensinada mundo afora estaria equivocado. Ao invés de tratar a gramática e consequentemente suas regras como o foco principal do ensino, relegando o vocabulário a segundo plano, os papeis deveriam ser invertidos.

Para ele, “Language consists of grammaticalised lexis, not lexicalised grammar.” Em tradução livre: a língua consiste em um léxico gramaticalizado, não em uma gramática lexicalizada.

Com isso, ele determina que a base do idioma é o vocabulário e o ensino da língua deve ser primariamente voltada para este – e aqui o autor trata especificamente do inglês para estrangeiros, o chamado ESL (English As A Second Language). O estudo da gramática exerceria, portanto, um papel de gerenciamento do conhecimento vocabular principal. [4]

Idioms e Collocation

Também podem ser referidos como de chunks of language as expressões idiomáticas e as collocations.

As expressões idiomáticas ou idioms são fundamentais para quem deseja aumentar a compreensão da língua inglesa. Quanto mais idioms você conhecer, maior será o seu entendimento da língua da forma como é utilizada pelos nativos.

Conhecer uma grande quantidade de expressões idiomáticas e empregá-las adequadamente demonstra que a pessoa apresenta um bom nível de conhecimento da língua, sendo essa capacidade inclusive medida em testes internacionais.

Uma frase muito conhecida no mundo da linguística inglesa é “You shall know a word by the company it keeps” (você conhecerá uma palavra pelos seus acompanhantes). Esse pensamento encerra a importância das colocações de uma palavra através do idioma, de forma a conhecê-la.[5]

As collocations (colocações) são a forma como palavras interagem com outras. Os  pares de palavras que podem ocorrer são, obviamente, incontáveis, tendendo ao infinito (considerando-se em inclusive que a língua está eternamente em processo de modificação).

Esta relação da colocação é fundamental no estudo do vocabulário, já que algumas palavras apresentam um vínculo mais forte entre elas. Como exemplo bem simplificado, podemos citar blond e hair, pois ao utilizar a palavra blond dificilmente estamos falando de outra palavra além de hair.

O domínio de chunks ajuda os estudantes a reproduzirem expressões idiomáticas de forma natural e também a compreender o discurso de forma imediata, como acontece com falantes nativos.

O aluno com um bom conhecimento de chunks da língua inglesa produzirá expressões como “Let’s have a drink.” em vez de dizer “Let’s drink a glass.” ou “make na effort” em vez de “do an effort”.

É preciso aprender a usar as palavras em seus mais variados contextos, em conjunto com outras palavras (colocações possíveis). Além disso, é necessário aprender as expressões mais comuns em que uma palavra aparece. Enfim, aprender vocabulário, de uma forma realmente eficaz e que faça sentido, deve ser uma preocupação de professores e aprendizes de língua inglesa.


[1] https://www.teachingenglish.org.uk/article/chunks

[2] https://dictionary.cambridge.org/pt/gramatica/gramatica-britanica/speaking/chunks

[3] < https://www.youtube.com/watch?reload=9&v=qXhoYywK3nw>

[4] Richards, J., and Rodgers, T. 2001. Approaches and Methods in Language Teaching (2nd edition).

[5]FIRTH Apud  SARMENTO, Simone. O uso dos verbos modais em manuais de aviação em

inglês: Um estudo baseado em corpus. Porto Alegre: 2008

Deixe um comentário

avatar

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

  Subscribe  
Notify of