Como superar períodos de estagnação no aprendizado de línguas?

Se você está estudando um idioma há algum tempo, já deve ter experienciado um período de estagnação, ou talvez esteja passando por um agora mesmo. 

O fenômeno também é conhecido como “efeito platô”, expressão que dá nome à qualquer tipo de diminuição da velocidade do avanço em um processo longo, e costuma fazer parte do aprendizado de idiomas.

Estagnar no inglês significa que você alcançou um ponto em que já aprendeu muito, mas sente que não adquire novas informações como quando começou a estudar, e que está “preso” no seu nível atual de conhecimento.

No presente artigo, vamos apresentar algumas dicas para superar este momento desafiador, além de refletir sobre causas e consequências da estagnação no aprendizado.

→ Causas e consequências da estagnação

Para compreender o que causa estagnação, é importante visualizar a complexidade de fatores que se somam e levam o estudante a sentir a velocidade do próprio aprendizado.

Por um lado, ao iniciar os estudos de inglês, provavelmente a maioria das palavras estudadas não são exatamente novas, o estudante frequentemente já sabe algum vocabulário por se tratar de um idioma intensamente presente no cotidiano do mundo globalizado.

Portanto, é comum que o nível básico não represente um desafio tão grande, sendo realmente mais fácil de compreender e memorizar.

Contudo, aos poucos chegam assuntos mais complexos e, com o aumento da dificuldade, é comum que a velocidade do aprendizado diminua, e que seja necessário revisar e exercitar constantemente os conteúdos vistos há pouco tempo, mais do que normalmente se faz no nível A1 (iniciante).

Ao mesmo tempo, as aulas mais básicas apresentam informações de forma relativamente generalizada e rápida, para apenas introduzir conceitos que poderão ser aprofundados mais tarde, portanto as aulas sobre um mesmo assunto tendem a se tornar, pouco a pouco, mais voltadas aos detalhes do idioma, inclusive analisando pontos paradoxais de muitos conceitos já estudados, demorando mais para passar por eles.

Permanecer mais tempo analisando detalhes de como conjugar verbos em novo determinado tempo verbal, por exemplo, pode trazer a falsa sensação de estar demorando mais que o normal para chegar ao próximo assunto, em comparação com a rapidez com que se passava pela apresentação de um verbo apenas no Simple Present, antes.

Ainda há mais fatores que geram sensação de estar preso em um nível: o estudante pode não estar prestando atenção suficiente à fixação do que vem aprendendo, o que comumente causa a impressão de estar sempre esquecendo as palavras em inglês.

Vale lembrar que causas pessoais e emocionais também entram na equação, como estar sentindo muita pressão de começar a se comunicar em inglês, um sonho que parece se distanciar com o aumento da dificuldade das aulas.

A ansiedade muitas vezes nos faz perceber o tempo como insuficiente para qualquer objetivo, trazendo uma urgência desnecessária, que acaba prejudicando a experiência de estudo.

Aprender mais devagar um nível mais avançado é natural, mas, mesmo assim, pode causar enormes frustrações.

Como consequência do efeito platô, estudantes sofrem de baixa auto-estima intelectual, o que leva à uma enorme insegurança na hora de tentar se comunicar em inglês, traz eventual desmotivação ou perda total do interesse em aprender, levando à desistência em situações mais extremas.

Em alguns casos, estudantes que não querem desistir, mas também não acreditam que ajustes simples em sua rotina de estudos possam resolver o problema de estagnação em um nível, acabam optando por investir em métodos duvidosos, como sleep-learning, entre outros.

→ Dicas para destravar ou evitar estagnar

A estagnação é normal, mas pode perdurar além do aceitável quando o estudante não sabe introduzir material de dificuldade apropriada.

Ao tentar compreender conteúdos avançados demais para seu nível atual, ou se expressar fluentemente sem ser fluente ainda, o aluno sente-se frustrado, mas, muitas vezes, segue insistindo e perdendo tempo.

Em outros casos, pode estar evitando totalmente conteúdos desafiadores por achar erroneamente que são avançados demais para sua capacidade atual.

De fato, é bastante complexo, principalmente quando se é autodidata, encontrar um ponto de equilíbrio no material didático, ou no entretenimento usado como material de estudos, em que o desafio não ofusca o domínio do assunto.

Para amenizar a discrepância das velocidades de aprendizado, o tipo de contato que você tem com o conteúdo que causa dificuldade pode fazer muita diferença.

Paralelo à escolha de como lidar com aquilo em que se tem dificuldade, é dar a devida atenção à formação de vocabulário útil, ou seja, palavras que você lembra quando precisa expressar-se.

Não importa seu nível atual de inglês, para passar ao próximo, lembre-se que a base do aprendizado em qualquer nível é vocabulário.

Para solidificar esta base para seu próximo nível no idioma, não adianta somente ter contato com um vocabulário mais avançado, pois sem uma atividade para fixar essas palavras novas na memória, é provável que você as esqueça rapidamente.

Abaixo, listamos seis dicas que se aplicam à estudantes de inglês em todos os níveis: são hábitos que ajudam a destravar o aprendizado em geral, garantindo um contato produtivo com o idioma, e sugerindo adaptações na rotina de quem está lidando com dificuldade de aprendizado.

  1. Ler tudo sempre em voz alta: facilite a memória

Caso você ainda não tenha desenvolvido o hábito de ler os textos em inglês em voz alta, é hora de começar.

Tal conduta acaba florescendo naturalmente em muitos estudantes, pois é possível perceber instantaneamente como a leitura em voz alta nos permite total concentração no que está sendo lido.

Leia sempre em voz alta os textos durante aulas e lições-de-casa, assim como procure notícias em jornais estrangeiros e histórias curtas em inglês para treinar a leitura.

Seus próprios textos também devem sempre passar por uma leitura em voz alta, antes de você considerá-los terminados.

O hábito de pronunciar o que é lido deve ser nutrido ao máximo: perca a vergonha e leia em voz alta as palavras em inglês que encontrou em uma embalagem no mercado, em uma propaganda fixada no ônibus, entre demais espaços por onde passar.

O efeito à longo prazo da criação deste hábito é a fixação mais rápida das palavras novas na memória.


  1. Transcrever textos, áudios e vídeos (todo tipo de material): facilite a memória

Transcrever textos estimula a compreensão da gramática, a fixação do spelling, além de proporcionar um momento de reflexão prolongado à respeito do vocabulário presente, e como as frases foram formadas pelo autor.

Igualmente útil será realizar transcrições do inglês a partir de áudios e vídeos. Um treinamento de listening acaba se tornando um estudo mais profundo quando transcrevemos o que compreendemos.

Por exemplo: escolha uma cena de uma série ou filme e transcreva o diálogo entre as personagens.

Analise as tendências linguísticas atreladas à personalidade ou identidade delas.

Leia em voz alta o que transcreveu, lembrando-se da forma como os atores pronunciaram tais palavras.

Não se preocupe com revisar transcrições, como iremos mencionar na próxima dica, pois as revisões devem focar no essencial.

O hábito de transcrever não tem como objetivo criar material de estudo, mas sim acostumar-se com o idioma, e visualizar palavras e frases mais claramente ao entrar em contato com áudio em inglês: um treino para ativar a memória.

Sugerimos que você utilize um caderno somente para suas transcrições, separando-as do material didático anotado em cadernos de estudos.

  1. Realizar revisões constantes do vocabulário essencial: fortaleça a memória

O conceito de revisão vai muito além de reler aulas assistidas.

Uma forma extremamente eficaz de revisar o conteúdo aprendido é introduzir lembretes que transformem experiências cotidianas em oportunidades de estudar sem muito esforço.

Por exemplo, espalhe post-its pela sua casa com lembretes do vocabulário que você precisa dominar para avançar de nível.

No caso de alguém iniciante, os post-its em inglês podem conter o nome dos objetos e eletrodomésticos que usamos todos os dias: fridge, bed, desk, table, chair, door, etc.

Se estiver no nível intermediário, os móveis da casa podem conter anotações com adjetivos novos para você, que expressem sua opinião sincera sobre cada um deles.

Todas as vezes que você passar por aquela palavra na sua casa, se fortalecerá a memória de seu significado e utilização.

O contato constante com vocabulário através da leitura é fundamental, mas outra forma muito eficaz de revisar e fixar o que você já aprendeu é praticar a escrita (acompanhada de leitura em voz alta após terminada a escrita, é claro).

Você pode manter um diário em inglês, por exemplo, onde escreve livremente da melhor forma que souber de expressar em inglês sem pesquisas para tirar dúvidas – naturalmente, você usará o vocabulário que tem aprendido, revisando-o.

Escrever um diário, em oposição a outros formatos de expressão escrita, garante que o conteúdo sendo revisado e utilizado se aplica à realidade do estudante, o que significa que, para este estudante, ele é essencial.

Contudo, a melhor pessoa para definir que tipo de exercício de expressão mais se alinha com suas aspirações e seu cotidiano é você mesmo.

Quadro mostra algumas palavras com as palavras wake, woke, woken
  1. Não insistir em um conteúdo por muito tempo: encontre equilíbrio

Para quem sente-se “travado” em um assunto específico, e gasta mais tempo para estudar este conteúdo que os demais, talvez seja hora de fazer uma pausa intencional.

Segundo a PhD Barbara Oakley, professora de Engenharia na Universidade e Oakland (Estados Unidos) e pesquisadora de psicologia cognitiva, a melhor forma de aprender é alternar os estados de foco e de difusão do cérebro durante o processo (ideia apresentada em livro de sua co-autoria intitulado Aprendendo a Aprender para Crianças e Adolescentes – Como se Dar Bem na Escola). 

Dr. Oakley explica que insistir em estudar sem realizar pausas, incluindo manter-se em um mesmo conteúdo por horas, é prejudicial para o processo de absorção de informações.

Outra dica apresentada em seu livro consiste em sempre iniciar a sessão de estudos pelo assunto que se tem mais dificuldade, e partir para outros mais fácil, ou realizar pausas, quando a dificuldade aumentar.

  1. Não dividir sua atenção entre tarefas diversas: tenha paciência e foco

Como sugerido na dica anterior, ao mudar o foco, o cérebro retorna ao que se estava dando atenção anteriormente com uma nova perspectiva.

Mas atenção: não faça duas ou mais coisas ao mesmo tempo, alterne os conteúdos para focar, mas sempre dando atenção plena à cada um deles, um de cada vez.

Esta dica também vale para a divisão da atenção entre os estudos e demais tarefas, por exemplo: evite estudar enquanto limpa a casa, ou faz almoço, etc.

O objetivo de aproveitar ao máximo o tempo, que leva muitos ao multi-tasking, costuma ser não somente uma ilusão, mas um fator que efetivamente retarda o processo de aprendizado.

  1. Experimentar nova abordagem em vista de dificuldade: adapte-se à si mesmo

Mesmo que uma abordagem didática esteja funcionando, o estudante que sente estagnação se beneficia muito ao experimentar novos métodos.

Dedique algum tempo para pesquisar diferentes formas de aprender e ensinar inglês, e escolha uma nova para tentar.

É importante manter em mente que qualquer método que prometa uma evolução extremamente rápida, e que envolva pouco esforço, provavelmente deve ser descartado.

Com “abordagem” queremos dizer tanto métodos didáticos em si, quanto pequenas ações cotidianas que fazem diferença na aplicação do método.

A adaptação da abordagem depende do quanto a forma como você está estudando hoje está trazendo resultados.

Se você se sente frustrado com a maioria das aulas que assiste, pode ser hora de procurar uma nova turma, ou ser ainda mais radical na mudança e procurar uma nova escola, que possua livros baseados em outros métodos.

Mas, se seu sentimento de não-evolução tem raíz em dificuldades específicas, como conjugação de verbos em determinado tempo verbal, ou a conjugação de verbos irregulares, por exemplo, o ideal seria procurar outras formas de abordar a conjugação, para complementar ou substituir seu método atual de aprender este conteúdo.

Podemos ilustrar essa adaptação utilizando uma das dicas apresentadas neste artigo: se você não gosta da forma que está atualmente estudando os verbos, você pode experimentar espalhar post-its com esse vocabulário novo pela casa.

Inclua os três principais tempos de um verbo que se relacione com o objeto ou espaço em questão: decorate, separate, eat, clean up… 

Mesmo que seja, a princípio, uma abordagem de fixação de vocabulário, pode ir muito além, pois a anotação será feita por você mesmo, e pode conter exemplos de frases ou desafios, como perguntas usando os tópicos a serem estudados: “What did you eat?” – uma pergunta para a qual caberão respostas diversas, curtas e longas, a serem respondidas sempre com enfoque naquilo que se está estudando no momento. 

As possibilidades de como estudar, ensinar e aprender são praticamente infinitas. Considere pesquisar novas formas de estudar e aplique-as quando sentir-se estagnado.

Lembre-se que nunca é tarde para recalcular sua rota de estudos, e que não existe uma hierarquia exata de abordagens, cada estudante deve perceber o que gera resultado em seu caso particular.

Para começar, experimente. Não se preocupe em achar rapidamente a melhor forma de estudar, mas permita-se experimentar várias e, aos poucos, naturalmente encontrar o que funciona para você.

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